Quarta-feira, 01 de Setembro de 2010

 

A coisa começava a tornar-se desagradável. Eu bem me esquivava, por vezes quase me contorcia, com riscos prováveis para a integridade da coluna, mas ela não me largava. Mais minuto menos minuto, voltava à carga: fazia uma rápida aproximação lateral, surpreendia-me pelas costas ou levava o desplante a afrontar-me nas barbas, sem o menor sinal de rebuço. Que fazer? Lá procurava de novo fintá-la, mas em vão. Voltava. Voltava sempre, como se um único objectivo a movesse na vida – eu. E eu, que até nem desdenho que se interessem por mim, começava a sentir-me desajeitado – o que é de mais é moléstia. Estava a ficar farto. E fulo. De repente, apareceu o Sérgio. Ora bem. Talvez houvesse mudança de rumo. O Sérgio é mais alto do que eu. E mais forte. Também tem mais cabelo. É muito mais novo. Veríamos. Bolas! Lá voltava ela. Decididamente, era eu que lhe interessava. Só eu. Mais ninguém. Logo ontem, que estava um calor dos diabos. Num instante de distracção, ela roçou-se em mim e senti que os cabelos se me arrepiavam. Mas que ousadia! Não ia tolerar outro atrevimento daqueles. Encolhi-me um pouco, recuei para calcular a distância a que me encontrava dela e zás!



publicado por tambemdeesquerda às 19:49
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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