Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

(Texto de apresentação da poesia de Adão Contreiras por ocasião da Feira do Livro, no Centro de Trabalho do PCP, em Dezembro de 2016 e em Faro)

"[...] a obra de arte é uma mensagem fundamentalmente ambígua, uma pluralidade de significados que convivem num só significante" Umberto Eco, Obra Aberta, Relógio d'Água, 2016, p. 46

 

Há uns meses, por ocasião de uma iniciativa cultural em Cacela Velha, Adão Contreiras, olhando para os circunstantes, viu neles aquela expressão de estranheza que não engana: não compreendiam a poesia dele. Esta "dificuldade de compreensão" tornou-se frequente nos nossos dias, quando a poesia segue, frequentemente, caminhos muito distintos daqueles que trilhou ao longo de séculos.

 

Na Idade Média, suponho que ninguém exibiria o ar de incompreensão de Cacela ao ouvir

 

Ai flores, ai flores do verde pino,

se sabedes novas do meu amigo!

ai Deus, e u é?

[...]

 

Mas não sei como reagiriam os súbditos de D. Dinis a estes versos de António Ramos Rosa:

 

A palavra é curva Nunca atinge

o alvo Só o silêncio

é recto

Mas a chama de um e de outro

limpa a lepra do tempo

e descobre a fonte branca

como o desenho latente que na página respira

António Ramos Rosa, Antologia Poética, Moraes Editores, p. 331

 

Ou a estes de José Gomes Ferreira:

Foi numa manhã de flores lúcidas

(com o sol a nascer oculto)

que vi de repente

romper das pedras e das árvores

uma luz de terra

a iluminar a discórdia de tudo

da harmonia de haver alma

a sangrar da realidade.

 

E desde então

fiquei preso ao suor do sol do mundo

pelas algemas da liberdade.

Manhã dialéctica, in Poesia III, p. 45

 

Do mesmo modo, no Renascimento, é pouco provável que os quinhentistas achassem bizarro o soneto "Amor é um fogo que arde sem se ver", a "esparsa ao desconcerto do mundo", ou as "endechas a Bárbara escrava", e será preciso esperar pelo século XVIII e pelo Iluminismo para um espírito culto, mas demasiado subjugado por uma lógica estreita, Luís António Verney, no Verdadeiro Método de Estudar, criticar acerbamente o belo soneto narrativo "Sete anos de pastor Jacob servia", porque, entre outros "defeitos", Camões usa o adjectivo "longo" para qualificar "amor".

 

Porém, que diriam os letrados da época, se Camões tivesse dado ao seu "Transforma-se o amador na cousa amada / por virtude do muito imaginar" a continuação que Herberto Helder lhe deu:

 

Transforma-se o amador na coisa amada com seu

feroz sorriso, os dentes,

as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído

e silêncio. Traz o barulho das ondas frias

e das ardentes pedras que tem dentro de si.

E cobre esse ruído rudimentar com o assombrado

silêncio da sua última vida.

O amador transforma-se de instante para instante,

e sente-se o espírito imortal do amor

criando a carne em extremas atmosferas, acima

de todas as coisas mortas.

Poemas Completos, Porto Editora, p. 13

 

 

Alguém contestaria, no século romântico, a poeticidade da "Barca bela" de Garrett?

 

Pescador da barca bela,

Onde vás pescar com ela

Que é tam bela,

Oh pescador?

[...]

                              Folhas Caídas, 1853

 

Mas quem aceitaria como poesia digna desse nome este poema de Adão Contreiras:

 

... Hoje é terça e há um rastilho de domingo

ainda por incendiar

um sol que nutre o silêncio

uma voz que abre o corpo

um destino nas palavras por dizer.

 

Hoje é terça e ainda é o sábado

na madrugada de domingo

quando o crepitar terno e são

quando o sol olha as flores

para dentro delas e me interroga.

 

Hoje é terça quando ainda

quarta se aproxima

emboscada numa luz em gritos

e terna combustão de mim.

Página Móvel com Texto Fixo, 2013, p.36

 

É nos últimos anos do século XIX (em Portugal) que as coisas, na literatura, começam a mudar decisivamente de figura, por influência de poetas franceses como Baudelaire, Verlaine, Rimbaud, Mallarmé.

 

Baudelaire, que encaminha a poesia para a via simbolista desde meados do século XIX, distingue dois planos da realidade - o natural, da matéria, que é apenas aparência, e o espiritual, que seria o da realidade profunda. Mas seria pelos símbolos, signos materiais e concretos fornecidos pela natureza e portadores de um significado abstracto, que o poeta (e não qualquer homem) apreenderia a realidade superior e espiritual. Ele exprime isto, p. ex., no soneto "Correspondances":

 

La Nature est un temple où de vivants piliers

Laissent parfois sortir de confuses paroles;

L'homme y passe à travers des forêts de symboles

Qui l'observent avec des regards familiers.

[...]

Les Fleurs du Mal, Univers des Lettres Bordas

 

Esta visão filosoficamente idealista da vida e do mundo leva estes poetas a adoptarem uma atitude de evasão em relação à realidade e a criarem uma linguagem própria, avessa a convenções, através de símbolos obscuros e de sonoridades inesperadas e sugestivas, que tendem a aproximar a poesia da música. Verlaine queria "de la musique avant toute chose" e esta característica está bem patente em poemas como a

 

Chanson d'automne

Les sanglots longs

Des violons

          De l'automne

Blessent mon coeur

D'une langueur

          Monotone.

[...]

Poèmes saturniens, 1866, in Verlaine, Oeuvres Poétiques, Bordas

 

Nas palavras da ensaísta Ana Hatherly, "/É/ nas teorias do Simbolismo /que/ vamos encontrar o germe de toda a poesia moderna, de toda a literatura moderna mesmo. Aí encontraremos o grande arranque para o Futurismo - com as suas palavras em liberdade, a sua sintaxe insubordinada, a visualidade do texto guindada a forma autónoma, e em geral a revolução do conceito de leitura e portanto de comunicação, ou seja, a revolução do conceito de mensagem poética" (O espaço crítico - do simbolismo à vanguarda, editorial Caminho, 1979, pp. 26-27).

 

Esta "revolução do conceito de leitura" é explicada por Ramos Rosa, num ensaio intitulado Poesia e Significado. Diz Ramos Rosa: "A poesia e a arte modernas nasceram dum movimento íntimo de reacção contra a hegemonia dos pseudovalores que pretendem reger o mundo e que, de facto, ainda o comprimem e sufocam. Foi, pois, um movimento de profunda liberdade que lhe deu origem e, na sua essência, é ainda a um homem profundamente livre que ela faz apelo. Concluímos, portanto, que a significação de um poema especificamente moderno depende tanto dele como de nós e que é precisamente desta colaboração entre criador e leitor que uma significação pode surgir e actualizar-se" (citação de Hatherly, op. cit., pp. 23-24).

 

O conceito do leitor como co-autor remete-nos ainda para a ideia de "obra aberta" que Umberto Eco desenvolveu no início dos anos 60, mostrando que a ambiguidade se tornou, "nas poéticas contemporâneas − numa das finalidades explícitas da obra" (Obra Aberta, p. 46).

 

Se a ambiguidade se tornou "numa das finalidades explícitas da obra", não será de estranhar a dificuldade tantas vezes sentida em "entender-se" muita da poesia actual.

 

Que é, afinal, a poesia?

 

Para R. Wellek e A. Warren, autores de uma Teoria da Literatura que fazia e suponho que ainda faz parte das bibliografias de estudos literários,

"

[...]a poesia organiza uma estrutura de palavras única, irrepetível, sendo cada palavra tanto um objecto como um signo e utilizada de uma maneira tal que nenhum sistema externo ao poema poderia predizê-la" Teoria da Literatura, Europa-América, p. 230

 

Esta ideia de a palavra valer como signo, mas também como objecto, é fundamental para se entender a poesia de todos os tempos, mas ainda mais a do nosso tempo e muito em particular a de Adão Contreiras, como já veremos. Mas vejamos antes o que é que outro poeta farense, Gastão Cruz, nos diz sobre o que é a poesia:

 

A poesia pode ser tudo − desde que seja poesia. Isto é, desde que não fique reduzida a um discurso frouxo e complacente com o lugar comum.

 

Pode ser descritiva, narrativa, realista, alusiva, ambígua, elíptica, pode privilegiar o uso da metáfora ou quase não recorrer a ela, manter uma linguagem próxima da que é utilizada na mais normal comunicação quotidiana ou servir-se da "enumeração caótica" e do choque entre imagens, furtando-se ao estabelecimento de um discurso "lógico"; mas não pode limitar-se a repetir o já visto, o já lido: em suma, tem de ser "diferente".

[...]

 

A poesia pode ser simples, transparente, exacta, mas não pode ser "fácil", superficial.

          "Poesia e mudança", in Relâmpago, revista de poesia, n.º 33, Outubro de 2013, pp. 47 e segs

 

"Não pode ser fácil, superficial" e, já agora, também não deve sacrificar tudo à rebusca formal, ignorando a realidade social. Com a sua habitual lucidez de análise, Álvaro Cunhal escrevia, em 1954:

 

"Toda a história da arte é fundamentalmente a história das tendências realistas e da sua luta contra as tendências formalistas. [No entanto,] a verdade no realismo nunca pode ser a fotografia instantânea, seja da vida social, seja dos próprios objectos e fenómenos naturais. A representação da realidade na obra de arte não pode pretender ser literalmente fiel pela razão simples de que se trata de uma obra de arte e não da própria realidade representada. A verdade na arte é diferente da verdade na vida e essa é condição indispensável para que possa ser a sua real representação " Álvaro Cunhal, "Problemas do realismo", in Obras Escolhidas, IV, edições Avante, pp.786-787 (artigo manuscrito enviado da prisão para a revista Vértice, não chegou a ser publicado e permaneceu inédito desde então - 1954 - até 2013)

 

Na altura, viviam-se ainda os desenvolvimentos da polémica entre a corrente do psicologismo presencista (a Presença foi extinta em 1940) e a corrente neo-realista, representada pelos escritores e poetas do Novo Cancioneiro − Fernando Namora, Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Álvaro Feijó, Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Sidónio Muralha, Francisco José Tenreiro e Políbio Gomes dos Santos.

 

Feito este périplo apressado e cheio de lacunas, importa recensear as características da poesia de Adão Contreiras, aferindo as tendências que ela manifesta, nomeadamente no tocante à ambiguidade, ao tratamento dado ao signo linguístico e à sua relação com o real.

 

A característica que mais rapidamente o leitor apreende é a sua concisão. Os circunstantes de Cacela Velha teriam seguramente dificuldade em admitir que alguns "parágrafos" do livro Página Móvel com Texto Fixo, o primeiro publicado por Adão Contreiras, em 2013, pela sua brevidade, possam ser considerados poemas. É o caso, entre muitos outros, deste:

 

... Em crepúsculos de íntimo olhar

moram as palavras a nascer (p. 24)

 

ou deste

 

... Que cão me mordeu?

Foi aquele sapato de marca (p. 25)

 

ou ainda deste

 

... Hoje encontrei o silêncio debaixo do travesseiro

onde havia ruídos de ontem (p. 28)

 

Trata-se de frases-poemas que exprimem, em fórmulas de extrema concisão, a relação privilegiada do poeta com a palavra poética, um afloramento prosaico da vida quotidiana no instante da criação, as flutuações da memória. Mas igual concisão elíptica se encontra, por exemplo, em Ruy Belo:

 

Requiem por um bicho

Está tudo muito certo mas a gata

que outro mundo trará a gata que morreu?

Homem de Palavra(s), Assírio & Alvim, p. 39

 

ou em Fernando Pessoa:

Pouco me importa.

Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.

Poemas de Alberto Caeiro, Ática, p. 94

 

ou em Ramos Rosa:

Frustração

Fútil viagem

de que restam

sílabas

que não latejam.

Estrias, 1990, in Antologia Poética, Dom Quixote, p. 292

 

ou em Eugénio de Andrade:

XXIX

De novo me tortura e quebra os membros,

Eros, doce-amarga indomável serpente.

Poemas e fragmentos de Safo,in Eugénio de Andrade, Poesia e Prosa, II, Círculo de Leitores, p. 61

 

ou em Sophia Andresen:

Final

Mas na janela o ângulo intacto duma espera

Resolve em si o dia liso.

Coral, in Antologia, Círculo de Poesia, Moraes Editores, p. 129

 

ou ainda em poetas mais próximos ainda de nós no tempo, porque vivos, e no espaço, porque daqui. É o caso de Vítor Cardeira:

 

Para Bowie

era um tempo sem gritos

no horizonte breve

em que a claridade cedeu à sombra

e os dias se encheram de ruído...

Escaras, Lua de Marfim, 2016, p. 23

 

e de

Fernando Esteves Pinto:

Nunca permaneci tão profundo e submerso

em pensamentos que se estendem até ao indizível.

Penso para ser presença onde o silêncio é excesso

e levíssima a palavra cristalina.

Dispensar o vazio, Lua de Marfim, 2012, p. 63

 

Todavia, nem só a extensão se presta a manifestações de rejeição. Mais frequentemente, a incompreensão resulta do facto de o significado de um poema ser enigmático e escapar-nos. Apesar disso, podemos gostar desse poema. Seja porque contém uma associação de palavras inesperada, surpreendente e original, seja pela sua sonoridade, seja porque apresenta uma imagem particularmente sugestiva, que nos transporta, que nos tira de nós. A este respeito, Umberto Eco diz o seguinte:

 

"[...] a palavra poética é em geral considerada como aquela que, pondo numa relação absolutamente nova sons e conceitos, sons e palavras entre si, unindo frases de modo invulgar, comunica, juntamente com um dado significado, uma emoção inusitada; a tal ponto que a emoção surge mesmo quando o significado não se apresenta imediatamente claro" (Obra Aberta, p. 122).

 

A título de exemplo, atente-se neste provocatório poema:

 

... À ilharga do destino com sabor a café

é com pau de canela que agito o futuro

Página Móvel, p. 79

 

O significado deste poema pode não se nos apresentar como "imediatamente claro", mas esta "relação absolutamente nova" de substantivos concretos como "ilharga", "sabor a café" e "pau de canela" com os abstractos "destino" e "futuro" não deixa de "comunicar uma emoção inusitada"...

 

Idêntica impressão, quero crer, nos deixa este poema de Adília César, outra poeta/poetisa próxima de nós:

 

vermelho

 

não sabia

 

afinal o vermelho não é

uma cor

 

é fruta mastigada

é verdade

arrancada a ferros

 

é poema

que ninguém repete

 

é grito silencioso

no nevoeiro da manhã

 

mas se tu me ouvires

deixo-te provar esse sumo

acreditando que sim

que os vulcões morrem para dentro

que os poemas

não existem apenas nas palavras

          o que se ergue do fogo, Lua de Marfim, 2016, p. 65

 

Adão Contreiras tornou-se conhecido pela pintura e pela escultura, muito antes de publicar este seu primeiro livro. Muito provavelmente, ao facto de ser um cultor destas artes não é alheia a plasticidade da sua poesia, que é muito visual. Tem-se frequentemente a impressão, ao lê-la, de que as palavras são lançadas na folha branca de papel à maneira de pinceladas que se vão buscar a uma paleta de cores muitas vezes fortemente contrastantes ou como se fossem objectos heteróclitos reunidos no espaço do poema. É o que acontece, por exemplo, no poema "o homem do tractor chegou", do seu segundo livro, Ouro e Vinho, que colhe um instante da realidade envolvente feito de pequenos apontamentos em que avultam as sensações cromáticas e acústicas:

 

o homem do tractor chegou

 

ao fundo o mar oceano

leveza no azul

de um risco

 

ingleses spicam

na airosa atmosfera de verde e sol

golpeiam sons de sonora rádio

 

os carros esperam com focinhos

de cão o momento da partida

 

[...]

 

Ouro e Vinho, p. 33

 

A recusa de uma poesia ensimesmada, melancólica, egotista e encerrada em torre de marfim, aliada a uma vibração optimista e fraterna, é outra das características deste poeta. Aliás, se o sujeito poético está sempre presente, não é menos verdade que ele se despromove quase sempre a favor de um olhar atento ao que o rodeia e ao Outro, conforme se vê nestes versos, todos do Mostruário:

 

  • "a quantidade de massa monetária em circulação / deve ser igual à quantidade de angústia / que sopra no quintal do vizinho", p. 38
  • "o sentido da vida está na relação com os outros", p. 97
  • "eu, o outro e o mundo, a trindade terrestre", p. 99
  • "bastará ao poeta ser poeta / levantar as palavras do chão / sem fazer poeiras de mistérios / ter anseios lado a lado / com o vizinho", p. 135
  • "gritos na alvorada acordam exércitos de sonhos", p. 70 que, sendo uma "fábula épica", proclama "a supremacia das Mãos / sobre o Destino" e, assim, rejeita a fatalidade;
  • "todo o real é uma inundação dos sentidos", p. 130
  • nos subúrbios da manteiga cresci rente às ervas // nota: // ter-se-á   em conta neste poema / que o poeta jamais se alimentou  dos néctares / ou iguarias dos deuses", p. 133 

 

Há ainda, pelo menos, um poema em que Adão Contreiras formula de forma quase programática a sua opção por uma literatura diurna, apolínea, optimista e esperançosa, à mistura com um laivo de autocrítica:

 

quando sinto esta ânsia de literatura anoitada

sabe-me a estar comendo alcatrão

 

nota:

poema cavernoso

singularmente velho

e cheio de remorsos

poema encalhado nas palavras sem perfume

 

dicas:

sobre a mesa de cabeceira

os litígios da amargura

ganham um endurecido peso

 

abraçado ao espelho da noite

despede-se do nu amor o poeta

com palavras que irão para além

da viva morte

 

o alcatrão da noite estende-se

sobre as estrelas da emoção

 

só haverá sol na literatura

depois de a terra

bebida pelos ventos das hipóteses

Mostruário, p. 104

 

Dezembro de 2016

Fernando Martins

 

 



publicado por tambemdeesquerda às 00:53
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
mais sobre mim
Janeiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


pesquisar neste blog
 
contador
Website counter
Mapa de visitantes
Visitantes por país
free counters
Visitantes em tempo real
Que horas são?
subscrever feeds
blogs SAPO