Quarta-feira, 05 de Janeiro de 2011

Ele diz que a venda das acções do candidato Cavaco Silva com 140% de benefício é um assunto interno do banco. E diz que a insistência dos outros candidatos no caso BPN só serve para descredibilizar ainda mais a política e os políticos. E, ao mesmo tempo, diz que o BPN é um buraco sem fundo e que urge pôr-lhe um termo. E nós ouvimos e começamos por achar esta mãozinha dada ao candidato Cavaco Silva tão generosa que só é entendível no âmbito de uma campanha humanitária, ou não estivesse o mesmo a atravessar um duro transe por via das malfeitorias de alguns dos seus mais dilectos amigos, colaboradores e financiadores de campanhas. E depois constatamos que o candidato Fernando Nobre, apesar de detestar os ataques pessoais desferidos pelos demais, por descredibilizarem a política, não deixa de reclamar a urgente resolução do sorvedouro de recursos nacionais que é o BPN. E lembramo-nos de que, com os 5 mil milhões, fora o que está para vir, algumas das medidas de austeridade que mais penalizam os trabalhadores portugueses não seriam necessárias. E vem-nos à memória aquela frase batida de que foi por via de uma gestão fraudulenta e criminosa que o BPN chegou onde chegou. E ocorre-nos que essa gestão fraudulenta é da responsabilidade dos tais dilectos amigos, etc. E que, se a fraude é uma abstracção, os lucros chorudos obtidos em operações de compra e venda de acções são tão concretos e definidos como outra coisa qualquer. E, não duvidando de que teríamos de nascer pelo menos duas vezes para sermos mais honestos do que o candidato Cavaco Silva, também nos vem ao espírito que, para um afamado economista, lucros tão substanciais não podem deixar de suscitar algumas interrogações quanto ao modo como foram obtidos. E concluímos que, se somos nós que estamos a pagar os desmandos destes ilustres cavalheiros, talvez não seja demais pedir explicações cabais a quem deles, eventualmente, terá beneficiado, sem que isso seja imediatamente levado à conta de ataque pessoal. Quanto à descredibilização da política e dos políticos, assacá-la a um pedido de explicações é tão estranho como o seria acusar a vítima de uma agressão na via pública de estar, com os seus gritos, a perturbar a tranquilidade dos transeuntes.

 

Ou será que Fernando Nobre, que até viu uma criança a correr atrás de uma galinha para lhe tirar um pedaço de pão do bico, não vislumbra, nas fauces dos tubarões da alta finança, o pão que tiram da boca dos trabalhadores portugueses?



publicado por tambemdeesquerda às 23:39
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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