Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

 

Que votem em Cavaco os grandes proprietários, os donos e os administradores das grandes empresas, os latifundiários (que ainda os há) e, em geral, todos aqueles que põem o seu património, ou a ambição de rapidamente vir a ter um, à frente do bem comum, ou ainda aqueles que não logram desembaraçar-se das teias de aranha de que os breviários inculcados durante quarenta e oito anos, e mais alguns depois desses, lhes povoaram as cabeças – eu não acho bem nem mal; acho que é o comportamento expectável da burguesia e dos seus serventuários.

 

Que votem, desde já, em Manuel Alegre ou em Defensor de Moura os parentes menos afortunados dos grandes proprietários, dos donos e administradores das grandes empresas, dos latifundiários e, em geral, todos aqueles que prezam a vida cómoda que levam e até vislumbram poder um dia alcançar pecúlios equivalentes aos dos seus parentes mais bafejados pela graça de Deus, do Espírito Santo e da Sociedade Lusa de Negócios, mesmo sabendo que só se lá chega deixando para trás uma multidão de famintos – eu não acho bem nem mal; acho que é o comportamento típico de franjas da burguesia que deste modo tranquilizam a consciência incomodada pelo espectáculo do desemprego e da miséria.

 

Que votem em Fernando Nobre os que, depois de Salazar e Mussolini, ainda acreditam em homens providenciais, os que não lobrigam, por detrás da fachada humanitária, o edifício da arrogância enfatuada, os que se deixam ir em discursos de embalar, leves e tão ocos que ao menor sopro de vento se desvanecem, e enfim os que não percebem que a apregoada independência ruiria, acaso chegasse onde, alegadamente, o destino pessoal o quer alcandorar, sob a investida das pressões dos mais fortes – eu não acho bem nem mal; acho que é o que se pode esperar de quem acredita no Pai Natal.

 

Que votem em José Manuel Coelho os que, mais do que tudo, apreciam o histriónico e, à tragédia da pobreza real ou à farsa da condolência cavaquista perante o sofrimento do povo, preferem a comédia de costumes e de carácter que o candidato da Madeira põe em cena cada dia – eu não acho bem nem mal; acho que é o que convém a quem prefere entreter-se com gravetos em vez de encarar de frente a floresta.

 

Que votem em Francisco Lopes aqueles que sabem de ciência certa que só uma mudança radical de rumo pode levar o país para a via do progresso sustentado e da justiça social – eu acho bem.

 

E é porque acho que é a candidatura de todos os que anseiam por um país decente que vou votar Francisco Lopes.

 

 



publicado por tambemdeesquerda às 19:50
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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