Terça-feira, 15 de Março de 2011

PR: Cavaco pede a jovens para se empenharem em "missões e causas essenciais" para o futuro de Portugal

15 de Março de 2011, 14:33

 

Lisboa, 15 mar (Lusa) - O Presidente da República instou hoje os jovens a empenharem-se em "missões e causas essenciais ao futuro do país" com a mesma coragem e determinação com que fizeram os militares que participaram há 50 anos na guerra em África.

 

"Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

 

Pois, acrescentou, enquanto portugueses, não haverá "causa maior" do que dedicar o esforço e a iniciativa "ao serviço da nação e dos combates que é necessário continuar a vencer, para promover um futuro mais justo, mais seguro e mais próspero".

 

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/12285626.html

 

 

Ouvi isto na rádio e depois li no Sapo. Deprimente. Primeiro, o Presidente nunca usa (a julgar pelo texto da Lusa) a expressão “guerra colonial”, que parece desconhecer. Não. Opta pela mistificante designação de “guerra do Ultramar”, à boa maneira do "antigo regime", que, por acaso, era o regime fascista. Segundo, não põe a tónica no facto de a guerra colonial ter sido uma guerra injusta, que enlutou milhares de famílias portuguesas e africanas, e de os jovens soldados que para lá foram terem ido à força. Não. Não foram iludidos pela propaganda do regime, com o apoio sempre prestável da Igreja, sobretudo nos meios rurais. E não foram defender os interesses de um punhado de colonos, do poder económico e do regime, numa guerra de pilhagem dos recursos naturais dos povos africanos. Não. Foram defender a pátria.

 

Depois, da amálgama que no discurso é feita entre o presente sombrio do país, a braços com a sempiterna crise, e o passado glorioso de há cinquenta anos, quando galhardos jovens se dispunham a morrer em solo africano pela defesa da pátria, com “coragem, desprendimento e determinação”, resulta a impressão de que a “guerra em África” (ah! esta predilecção pela geografia!) foi uma “missão e causa essencial ao futuro do país”, uma “causa maior”, que os jovens de hoje têm de honrar, empenhando-se em novas proezas de idêntico gabarito.

 

Quão próximo este Presidente parece estar dos próceres do Estado Novo!

 

E quão distante dos ideais libertadores do 25 de Abril!

 

E como foi judiciosa a apreciação do Chefe de Brigada da PIDE que, em 1967, registou na ficha do jovem licenciado em Finanças: “Integrado no actual regime político”!



publicado por tambemdeesquerda às 23:50
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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