Quarta-feira, 16 de Março de 2011

(ao post de 11 de Março, com um artigo de Michel Chussodovsky)


Não se trata de uma questão de puritanismo. Se eu pudesse acreditar na boa-fé dos EUA e da EU, talvez achasse bem que se emendasse a Carta das Nações Unidas no tocante ao direito de ingerência. Porém, sinto-me incapaz disso, por razões várias, de que enumero algumas:

  • vivi no tempo do fascismo salazarista, com o qual as democracias europeias e a americana conviveram pacificamente, até que o povo se libertou pelos seus próprios meios (felizmente, sem termos sido bombardeados pela NATO);
  • presenciei, à distância, o papel dos EUA no golpe de Estado de Pinochet e a sua convivência pacífica com o regime deste e de tantos outros torcionários latino-americanos;
  • testemunhei a bárbara agressão à Federação Jugoslava, destruída na sequência de ingerência “humanitária”, por alegada limpeza étnica, na sequência da qual, aliás, surgiu um novo Estado, já reconhecido por algumas democracias, contra o direito internacional, com um líder que esteve envolvido em tráfico de droga e, mais recentemente, em tráfico de órgãos humanos;
  • observei o apoio dos EUA aos taliban (e ao amigo Bin Laden) e a posterior zanga, com a conhecida história de invasão, ocupação e instauração de um regime corrupto e fantoche;
  • acompanhei o processo das “armas de destruição maciça” que nunca existiram, embora os Quatro Magníficos das Lajes as tenham visto não se sabe como nem onde, o que não impediu a invasão e ocupação do Iraque, com tudo o que isso implicou, implca e implicará;
  • vejo que os EUA, e a EU, continuam a conviver amistosamente com os regimes mais asquerosos do planeta, sempre que isso lhes traz vantagens ou assegura a manutenção das mesmas. Fizeram-no com a Tunísia de Ben Ali e o Egipto de Mubarak; fazem-no com os sauditas e as demais ditaduras árabes; fizeram-no com o ditador líbio, nos últimos anos, a partir do momento em que este adoptou medidas que lhes agradaram (“A partir da II Guerra do Golfo, Kadhafi deu uma guinada de 180 graus. Submeteu-se a exigências do FMI, privatizou dezenas de empresas e abriu o país às grandes petrolíferas internacionais. A corrupção e o nepotismo criaram raízes na Líbia”, Miguel Urbano Rodrigues, http://www.odiario.info/?p=1993)


publicado por tambemdeesquerda às 20:23
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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