Terça-feira, 29 de Março de 2011

            Não sei se é falta de lembrança, se é falta de imaginação ou se é cisma. O facto é que, de cada vez que volta à vaca fria, que é como quem diz à temática do aumento dos impostos, o Dr. Passos Coelho, adoptando aquela pose própria de quem alia aos pergaminhos de uma educação superior a expectativa risonha de uma próxima ascensão ao estatuto de chefe de governo, sai-se com esta clarificação: o que eu disse foi que, se as medidas tomadas pelo actual governo, com o apoio do PSD, não forem suficientes para debelar o défice, prefiro agravar os impostos sobre o consumo a penalizar ainda mais as pensões de reforma mais pequenas. Ora quem isto diz podia muito bem dizer: prefiro agravar os impostos sobre o consumo a cortar ainda mais no subsídio de desemprego, ou no abono de família, ou no rendimento social de inserção, ou na comparticipação nos medicamentos, e assim sucessivamente. Porque, de facto, todas estas putativas medidas têm como alvo os consumidores e, em geral, os cidadãos de mais fracos recursos, e a alternativa apresenta-se sob a forma tautológica: ou prejudico os mais desfavorecidos ou prejudico os mais carenciados. O que não ocorre ao Dr. Passos Coelho é a possibilidade de enunciar a alternativa de forma verdadeiramente contrastante, como seria, por exemplo: prefiro taxar as grandes fortunas, ou as transacções em bolsa, ou os lucros dos bancos, a agravar um imposto indirecto que penaliza mais quem tem menos. Mas, pensando bem, que sentido faria o Dr. Passos Coelho fazer suas medidas de justiça social que são defendidas pelo PCP?!



publicado por tambemdeesquerda às 22:46
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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