Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

A UM P O E T A

 

Surge et ambula!

 

Tu, que dormes, espírito sereno,

Posto à sombra dos cedros seculares,

Como um levita à sombra dos altares,

Longe da luta e do fragor terreno,

 

Acorda! é tempo! O Sol, já alto e pleno,

Afugentou as larvas tumulares…

Para surgir do seio desses mares,

Um mundo novo espera só um aceno

 

Escuta! é a grande voz das multidões.

São teus irmãos que se erguem! são canções…

Mas de guerra… e são vozes de rebate!

 

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,

E dos raios de luz do sonho puro,

Sonhador, faze espada de combate!

 

Antero de Quental

 

 

Antero Tarquínio de Quental nasceu em 1842, em Ponta Delgada. Dota­do de uma personalidade singular e dramaticamente complexa, cujos pormenores tentaremos esboçar no decurso e na sequência da análise textual a que vamos proceder, a sua produção literária revela a coexistência de duas posturas profundamente contraditórias do homem perante a vida: a atitude combativa e de firme confiança no futuro, própria do militante progressista, por um lado, e, por outro lado, a atitude de introversão com laivos de misticismo, porventura aquela que mais fielmente traduzia a sua mais profunda idiossincrasia. É na primeira destas atitudes que, como veremos, se filia o soneto “A um poeta”.

 

Título esse que circunscreve o campo imenso de destinatários pos­síveis da mensagem a apenas um indivíduo ou, provavelmente, uma classe de indivíduos - os poetas, sendo, num caso como no outro, substancial o estreitamento. Mas se, por um lado, o poeta limita assim grandemente o campo de actuação da sua mensagem, há, noutra perspectiva, um apelo ao empenhamento total do destinatário no combate, que nos remete iniludivelmente para um conceito revolucionário da poesia, diametralmente oposto ao da arte pela arte. Assim, avançando já, e extemporaneamente, alguns dados sobre o que uma análise mais atenta e minu­ciosa nos irá revelando redundantemente, o título condensa na secura do seu enunciado que o conjunto do soneto iluminará depois, todo um programa de ac­ção pedagógico-revolucionária que passa pela certeza racionalmente sentida de que se deve "praticar a vida como quem sabe que cada acto e momento dela é um acto e momento do absoluto" (1), numa clara recusa da metafísica esterilizadora, e pela afirmação de que “a Poesia moderna é a voz da Revolução” (2). Traçado este esboço programático, como entender a epígrafe “Surge et ambula!” que nos remete para o código cultural cristão, concretamente o episódio bíblico de Lázaro, leproso ressuscitado por Cristo? Formulemos explicitamente o que poderia constituir matéria de dúvida: o enunciado exortativo tem aqui um valor meramente formal ou, pelo contrário, sugere uma assimilação já interiorizada do cristianismo como doutrina social? Sabe-se que Renan publicara em 1863 (tinha então Antero de Quental 21 anos) as suas Origens do Cristianismo, obra que exerceu profunda influência no grupo denominado da “geração de 70”, a que Antero pertenceu.

 

Proclamando-se irreligiosos, os mentores deste grupo exaltavam, todavia, “o papel histórico de Jesus, considerado como um herói humano, precursor da reforma social a que aspiravam”(3) e come­tiam a ousadia intelectual de afirmar, como o fez Antero: “o Cristianismo foi a Revolução do mundo antigo. A Revolução não é mais do que o Cris­tianismo do mundo moderno”. (4). Nestas circunstâncias, comprovada a intenção de confundir Cristianismo e Revolução num mesmo impulso único e universal que moveria os homens na luta pela liberdade, pela Justiça proudhoniana, a epígrafe “Surge et ambula!” parece traduzir efectivamente o raio de apolínea luz, a Ideia hegeliana que dialecticarnente nega a “sombra” e as “larva tumulares”.

 

 Sombra, serenidade e isolamento que estão presentes desde a primeira quadra do soneto, não somente a nível de conteúdo, mas ainda na manifestação glossémica. Uma análise fónica põe, com efeito, em evidência uma clara dominância de vogais tónicas fechadas (ao todo, 13) sobre as abertas (são apenas 3), como que a insinuar o 'fechamento' de um mundo ultrapassado, de uma atitude egocêntrica contemplativa do umbigo e surda em relação ao “fragor terreno”. Dentro desta linearidade musical, a acentuação tónica na primeira sílaba de cada verso confere à apóstrofe o carácter de nota isolada, de chamamento impotente, porque esbarra no apsiquismo generalizado. Ficam então como que a pairar, na atmosfera cálida do desinteresse, essas quatro tónicas iniciais: “Tú…/ Pósto…/ Cómo…/ Lónge”. A intensificar a atmosfera de adormecimento e estagnação do próprio tempo, o segundo verso (“Posto à sombra dos cedros tumulares”) desenvolve uma aliteração em sibilantes surdas (/s/ e /S/).

 

 Mudando agora do itinerário glossémico para o sémico, é idêntico o ponto de chegada: “dormir”, “sereno”, “sombra”, “cedro”, “secular” e até “altar” são sememas que, todos, remetem para o grande sema da noite. É, efectivamente, de noite que o espírito sereno dorme, à sombra, afastada a luz solar que irremediavelmente nos chama para as realidades do quotidiano. “Secular” remete­-nos para a noite dos tempos, o “cedro” dá a sombra, isto é, atenua a claridade diurna, propicia o sono. Quanto a “altar” e “levita” (sacerdote), são sememas que evocam a instância divina e a intercessão entre esta e o humano. Ora a religião entendida positivamente por uns (os crentes) como senti­mento que estabelece a comunhão do humano com o divino e negativamente por outros (caso de certa faceta anteriana), como “fase poética ultrapassada na vasta epopeia da Humanidade” (5) (6) é indistintamente sentida, por uns e por outros, como refúgio do ser pensante perante as leis naturais. A comunhão lograda, a tranquilidade assim obtida a troco de fé não serão estados de certo modo semelhantes à narcose ou ao simples entorpecimento nocturno dos senti­dos? Assim, sons e léxico parecem remeter-nos redundantemente para uma linha de sentido: a da noite, do olvido, do alheamento individual em relação à colectividade. As alusões à “luta” e ao “fragor terreno” apenas dão aqui a outra fa­ce da realidade que o advérbio “longe” distancia.

 

 Mas eis que surge um imperativo como um rebate: “Acórda! é tempo!” O fonema aberto parece sugerir a alvorada, a abertura de uma fenda nas trevas da primeira quadra, fenda por onde penetra “O Sol, já alto e pleno”, com novas tonalidades abertas, diurnas, outros tantos raios de luz. O contraste é evidente: a um mundo nocturno, sombrio, decididamente ultrapassado, sucede o “mundo novo” da Ideia vitoriosa, da afirmação apolínea da Humanidade que se liberta das trevas, afugentando as “larvas tumulares”. Substantivo conotado com for­mas inferiores e rastejantes (…) de vida, adjectivo conotado com o passado, domínio dos mortos. No entanto, a eclosão do referido “mundo novo” carece de um “aceno” - imagem que simboliza, neste caso, a missão de intervenção social que, segundo o ideário realista, cabia à literatura e, muito especialmente, na óptica de Antero, à Poesia (7).

 

 Como se vê, o nosso percurso para a segunda quadra é predominante­mente sémico, embora partindo da observação relativa às tónicas abertas ini­ciais que chamam a atenção do leitor para a outra face do real - o real objectivo, que é dinâmico e perpetuamente se move. Se seguirmos outros trajectos verificaremos, porém, que eles confirmam esta primeira impressão. Assim, por exemplo, o cômputo das vogais tónicas mostra-nos que, das treze fechadas e três abertas da primeira quadra, se evolui nesta para oito abertas e oito fechadas (cf. quadro “Disposição das tónicas” anexo). Ao fazermos esta contabilidade, intentamos apenas desco­brir, tanto quanto possível, o que pode estar na origem das diferentes impres­sões e dos diferentes efeitos de sentido que a leitura do soneto causa. En­tendemos, pois, essa descrição contabilística como um meio, um dos utensílios práticos que nos permitem penetrar cada vez mais fundo no cerne do texto. Fazendo-o, reconhecemos a validade científica da análise imanente, muito embora o conhecimento da personalidade e da ideologia de Antero nos permita tirar ilações de âmbito geral que ultrapassam a capacidade significante deste soneto.

 

Passando, todavia, destas unidades de segunda articulação para as de primeira, por outras palavras, deixando os fonemas pela sintaxe, é flagrante a oposição entre as duas quadras: à serena discursividade sustentada, e conseguida à custa de sucessivos acrescentamentos circunstanciais que caracteriza a primeira quadra (8), contrapõe-se a irradiação sintagmática da segunda, com duas entoações exclamativas e duas suspensões, umas como outras a marcarem fortemente pausas que não são simples pormenores tácticos de leitura, mas que significam. Nomeadamente, “Acorda! é tempo!” são enunciados apelativos que veiculam toda uma carga ideológica de adesão aos ideais revolucionários. E como revolução é rebentamento, é pulverização das estruturas caducas, assim o discurso se pulveriza: o sujeito de enunciado único da primeira quadra (“Tu”) cede agora o lugar a quatro sujeitos - o mesmo “Tu”, em primeiro lugar, o sujeito impessoal de “é tempo!”, o Sol (que “afugentou as larvas”) e o “mundo novo”, (que “espera só um aceno”)..

 

 A partir desta segunda quadra, pois, a linha de sentido é basicamente a que aponta para o sema eufórico do “dia”. Dia que é, em primeiro lugar, a luz do Sol, mas também a “voz das multidões” para que nos remete o primeiro terceto. Com ele assistimos, de resto, a una reorientação da perspectiva do sujeito da enunciação, no que diz respeito aos sentidos (acepção física): se a segunda quadra apelava sobretudo para o sentido da visão, o primeiro terceto, sem a descurar, apela de forma relevante para o sentido da audição

 

 “Escuta! é a grande voz das multidões.

São teus irmãos que se erguem! são canções

Mas de guerra… e são vozes de rebate!”

 

 Ora esta observação, à primeira vista inócua, talvez o não seja tanto, se atentarmos em que, ao entorpecimento dos sentidos que, na primeira quadra, nos era redundantemente significado pelo conteúdo da mensagem e pelas sugestões fónica e sintagmática, sucede o despertar, primeiro da visão, logo da audição: tu, que dormes, acorda, vê o Sol e o mundo novo, escuta a voz das multidões. Por conseguinte, a própria discursividade do soneto nos dá a imagem do lento despertar e de uma lucidez que chega paulatinamente. Escusado aproximar tais imagens da génese da consciência política que, como se sabe, resulta de lenta maturação.

 

 Este tu-poeta a quem o eu-poeta se dirige atingiu, pois, o estado de lucidez necessário à apreensão de um “mundo novo” em cujo surto / parto (9) se empenham as multidões de irmãos. Reivindicação explícita de um espírito de fraternidade que congregaria todos os oprimidos no grande clamor de libertação. Clamor em que entrariam também canções, “mas de guerra”. É bem eloquente esta adversativa, reveladora daquele mesmo programa de acção pedagógico-revolucionária a que aludimos no princípio. Com efeito, “canções” sugere imediatamente poesia (aquilo que o poeta cria), mas não é indiferente o tipo de poesia que essas multidões cantam, não é, muito claramente, a pieguice frívola e narcisicamente egocêntrica do lirismo ultra-romântico à Castilho (10), mas sim uma poesia útil, interventora no processo social, ou seja, uma poesia “de guerra”(11). Guerra do novo contra o velho como expressão da luta dialéctica de contrários (tese-antítese) permanentemente geradora de uma síntese superior que assegurará um equilíbrio instável e temporário.

 

Assistimos a um lento despertar; resta-nos assistir ao erguer. E, ao erguer-se, o tu-poeta do início já não é  (não pode ser) o “espírito sereno”, alheio ao que o rodeia: a alienação cede o lugar à consciência límpida de quem viu, à luz do Sol, um “mundo novo” e de quem ouviu “a grande voz das multidões”. Para o parto dum “mundo novo” é um homem novo que se ergue, um “Soldado do Futuro” em quem o idealismo do “sonho puro” se coaduna com a “espada de combate” (síntese). Dizer que este final é belo e apoteótico é, decerto, um lugar-comum; mas este final é belo e apoteótico. Dizer que ele é cinematográfico é anacrónico, mas o leitor de hoje não pode resistir ao encanto de uma tradução cinematográfica, ainda que apenas mental: acaba o filme, que poderia chamar-se "Despertar", e um Sol fulgurante e rubro derrama-se sobre a Terra em mil “raios de luz”. Como o arrebol justifica o despertar de cada dia, do mesmo modo o futuro justifica o combate do presente…

 

O soneto analisado revela-nos certamente um Antero; provavelmente dois. A atitude eminentemente apelativa do sujeito da enunciação proferidor do discurso, cuja intenção é abertamente político-social, remete-nos claramente para o homem combativo que, pautando a sua acção pelo ideário socialista utópico tanto quanto por uma sólida arquitectura ética, se desloca a Paris, onde faz a experiência de operário tipógrafo, organiza as Conferências Democráticas do Casino, aplaude publicamente a Comuna de Paris, coopera na implantação em Portugal da Associação Internacional de Trabalhadores e combate por uma literatura de intervenção. No entanto, este poeta destinatário da mensagem pode muito bem ser entendido como a faceta mística da própria personalidade do destinador. Teríamos então perante nós um exemplo de texto veiculador dum monólogo introspectivo que reveste a aparência formal do diálogo. O eu enunciador e o tu destinatário não seriam mais do que dois pólos de uma mesma instância psíquica que se observa e que é observada.

 

É bem conhecido o pendor místico que, sempre presente, mesmo na época de maior combatividade (1863-65), prevaleceu a partir daí até ao final da sua vida. Este pendor místico, esta “náusea da realidade”, este “desejo ­ de Nirvana” (12) que coexistem com a tendência combativa revolucionária levam Antero a definir-se lapidarmente desde 1872: “Penso como Proudhon, Michelet, como os activos; sinto, imagino e sou como o autor da Imitatio Christi” (13).

 

António Sérgio apelidaria a primeira destas tendências de apolínea ou diurna, a segunda de romântica ou nocturna. Ora a análise deste soneto parece-nos ter justamente revelado a presença destas duas atitudes, sendo que a segunda é atribuída a um enigmático poeta que tanto poderia ser, metonimicamente, o conjunto dos poetas românticos encerrados na sua torre de marfim, como, através de uma ficção poética, o ego anteriano submetido ao apelo ideológico do super-ego.

 

(Análise de texto realizada em Abril de 1979, no âmbito da Licenciatura em Filologia Românica)

 

A um poeta, A. de Quental.jpg

NOTAS

 (1) Cf. História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes, p.805, 3.ª edição, Porto Editora, Porto, 19… A citação é de Antero de Quental.

(2) Quental, Antero de, “Nota sobre a missão revolucionária da poesia”, na 1.ª edição das Odes Modernas, citado por Ema Tarracha, Textos Literários, séc. XIX, vol. II, p. 81

(3) Cf. Saraiva, A. J. e Lopes, Ó., op. cit., p.777

(4) Cf. Quental, Antero de, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, Cadernos Peninsulares, Liv. Ulmeiro, Lisboa, 2.ª edição, 1971, p.69

(5) Cf. Saraiva, A. J. e Lopes, Ó., op. cit., p.800

(6) Seria interessante comparar esta concepção com aquela que Bento de Jesus Caraça exprimiria durante a Conferência intitulada "A Cultura Integral do Indivíduo - Problema Central do Nosso Tempo” realizada em 25 de Maio de 1933: o sentimento religioso seria a expressão de uma “aspiração confusa a uma felicidade e unidade superiores” que a humanidade não encontra em si. Esta aspiração do homem é, no entanto, aproveitada pelo princípio individual (um dos dois princípios contrários que regem a sociedade humana, sendo o outro o princípio colectivo) que, com a adoração de ídolos, logra mais profundo enraizamento do seu poder. Cf. Caraça, Bento de Jesus, A Cultura Integral do Indivíduo, Separata da Gazeta de Matemática, n.º 129-132, Lisboa, 1976, p.14-15.

(7) A nossa maiusculação de substantivos como Ideia, Revolução, Humanidade e Poesia remete para a percepção alegórica que frequentemente deles tinha Antero.

(8) Note-se que toda ela assenta num núcleo muito simples: “Tu dormes”.

(9) A imagem da eclosão “do seio desses mares”, na segunda quadra, sugere com efeito um parto.

(10) Cf. Quental, Antero de, “Tendências Novas da Poesia Contemporânea”, artigo publicado na “Revolução de Setembro”, em 1871: “O romantismo foi justamente condenado. O século, com um sentimento lúcido da sua verdadeira missão, afastou-se daqueles que lhe falavam uma linguagem cujo brilho, cuja eloquência, cuja sinceridade, por maiores que fossem, não podiam encobrir o falso do princípio que a inspirava. Essa missão é essencialmente positiva, social e racional, e o romantismo era essencialmente apaixonado, individual e subjectivo. Por mais que se virasse para o futuro, a sua alma pertencia ao passado. […] No fundo, uma sociedade saída da revolução, e uma poesia que se inspirava nas tradições da Idade Média contradiziarn-se, negavam-se radicalmente.

[…] Os poetas da geração actual vêem-se, pois, rasgado aquele véu fantástico da sentimentalidade de outrora, em face de uma sociedade que eles não compreendem, porque ela mesma a si se não compreende bem, mas que os não quer escutar senão com a condição de lhe falarem daquilo que a interessa e a preocupa, de se inspirarem da sua vida real e das suas verdadeiras aspirações”. Cit. por Tarracha, Ema, Textos Literários séc.XIX, vol. II, Aster, Lx.ª

(11) Cf. Quental, Antero, “Nota sobre a missão revolucionária da poesia”, (na 1.ª edição das Odes Modernas: “A poesia que quiser corresponder ao mais profundo do seu tempo, hoje, tem forçosamente de ser uma poesia revolucionária. Que importa que a palavra não pareça poética às vestais literárias do culto da arte pela arte? No ruído espantoso do desabar dos Impérios e das Religiões, há ainda uma harmonia grave e profunda para quem a escutar com a alma penetrada do temor santo deste mistério que é o destino das Sociedades!” Citado por Tarracha, Ema, op. cit., p.81,82

(12) Cf. Saraiva, A. J., ibidem, p.803

(13) idem.

 

 



publicado por tambemdeesquerda às 19:32
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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