Terça-feira, 03 de Novembro de 2015

"A fúria da natureza não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação. (...) Em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um act of God, nós temos que traduzir de outra maneira”. Calvão da Silva

 

Conde de Gouvarinho: "Creia o digno par que nunca este país retomará o seu lugar à testa da civilização, se, nos liceus, nos colégios, nos estabelecimentos de instrução, nós outros os legisladores formos, com mão ímpia, substituir a cruz pelo trapézio." Eça de Queirós, Os Maias

 

Sua Excelência o novel titular da Administração Interna irrompeu-nos ontem pelas pantalhas televisivas adentro com tal convicção e fúria demoníaca que mais parecia ministro para levar a sério do que roberto momentaneamente retirado dum baú de títeres para gáudio de infantes na feira anual da aldeia. Em escassos minutos de parlapié parolo para tolos, indigentes mentais e afins, sacudiu-nos a consciência incrédula com subliminares admoestações para que nos curvemos perante os desígnios da divina providência, ainda quando Deus não é amigo e nos dá períodos de provação, o que pode conduzir-nos à blasfema nexexidade de traduzir de outra maneira as suas divinas (e devastadoras) tropelias.

 

Uma pessoa assiste a estes espectáculos edificantes e, voltando-se para os seus botões, interroga-se angustiadamente sobre a época em que vive. Será que, sem disso se aperceber, alguma indisposta máquina do tempo a depositou num remoto mosteiro medievo ou num ibérico Tribunal do Santo Ofício? Ocorre-nos, porém, depois, que Sua Excelência é diplomada pela Universidade de Coimbra e seu excelso professor catedrático. No mesmo instante se nos depara, re-porém, a lembrança dos bacharéis de lá saídos e que os nossos Camilo e Eça derribaram com fúria não demoníaca, mas iconoclástica. E esta lembrança arrasta outra – a de personagens inesquecíveis que eles nos legaram. Este ministro cadente vai cair, como um anjo, isto é, como Calisto Elói, ou como o corneado conde de Gouvarinho – coberto de ridículo.

 

E nem a idoneidade de Ricardo Salgado lhe acudirá.



publicado por tambemdeesquerda às 23:41
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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