Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

1.        Não entendo a bravata temerária dos que se manifestam contra os atentados terroristas que lavram como os incêndios. Pois quê! Não temos medo de uma carrinha desmandada que galga passeios pejados de peões?! Não temos medo de uma carga de explosivos que nos transforma num monte de carne picada, enquanto o diabo esfrega um olho?! Não temos medo da faca com que o militante do Daesh, determinado e insensível, degola o infiel, qual cordeiro inocente em ara sagrada?! Eu tenho. Claro que tenho. E “eles” sabem que sim, que todos temos medo, embora continuemos a viver como se tudo isso não passasse de mito urbano… até o dia em que a carrinha desmandada, a carga de explosivos ou o cutelo afiado atinge o nosso amigo mais chegado, o nosso filho, a nossa neta. Aí, sim, não há temeridade que nos valha e vá de carpir aquelas partes de nós de que fomos brutalmente amputados. Finalmente, chegou-nos o medo, e “eles” sabem disso, porque, apesar de tudo, são feitos da mesma massa que nós.

 

2.        Não entendo manifestações como a de Barcelona. Pretende-se mostrar o quê? Que condenamos o terrorismo? Mas haverá alguém, tirando “eles”, que o não condene? E “eles” sabem que sim, que todos o condenamos, ainda que nem todos o entendamos da mesma maneira nem dêmos ao termo e ao conceito a devida extensão. De cada vez que nos manifestamos contra este (este…) terrorismo e que “eles” nos observam à distância, devem rir-se de gozo com a capacidade assim demonstrada de agitar multidões e de condicionar a nossa vida. Mas ainda mais com a estranha forma de cooperação que lhes oferecemos, dando publicidade aos seus actos. Desde quando, nas guerras, se propagandeiam os danos infligidos pelo inimigo?

 

3.        Já agora, não entendo que o denodo das polícias e das instâncias judiciais na busca e punição dos responsáveis pelos atentados terroristas se exerça sempre para com aqueles que têm a bomba (seja ela isso mesmo, uma carrinha ou uma faca), mas não o bombardeiro (seja ele isso mesmo, o míssil, o financiamento e treino de rebeldes ou a desestabilização por qualquer meio). É que os que têm o bombardeiro até estão muito mais próximos de nós, naquelas cúpulas de crápulas que degolam sem nunca sujar as mãos. E é por isso que eu, que tenho medo e não vou a uma manifestação mostrar ao mundo como o terrorismo é capaz de mover multidões, se vier a ser vítima de um atentado, prescindo de investigação, pela parte que me toca: os responsáveis, conheço-os eu de ginjeira.

 

Cimeira dos Açores - Março 2003 (2).jpg

 



publicado por tambemdeesquerda às 15:53
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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