Quinta-feira, 01 de Outubro de 2015

            Há mais de quarenta anos que não uso gravata. Durante todo esse tempo, aconteceu-me, uma ou outra vez, quando ia tirar fotografias tipo passe para o B.I., por exemplo, levar uma gravata no bolso, que atava ao pescoço diante do fotógrafo. Um homem com gravata é outra coisa; fica logo uns 23% mais convincente, que a gravata é um precioso valor acrescentado.

            Lembrei-me disto a propósito de Passos Coelho que, segundo consta, deambula agora, eleitoralmente, de crucifixo na algibeira. Como eu, com a gravata, parece que só de lá o tira em circunstâncias especiais, quais sejam posar para a câmara de televisão. Se fica mais ou menos convincente do que um homem sem gravata, não sei, mas é pena que não leve o fervor religioso um pouco mais longe, dispondo-se a fazer-se crucificar, como é costume nas Filipinas, assim expiando os seus pecados. Haviam de ver-me, então, fazer de Pilatos: daí lavava as minhas mãos, sem deixar, obviamente, de amnistiar Barrabás.

            Por muito que me condoa com o sofrimento alheio, não me é dado comungar com cristãos que, em matéria de milagres, não logram mais do que a multiplicação da pobreza ou a transformação do vinho em água, e cujo reino (deste mundo) assenta na infelicidade do próximo. Apesar disso, na ocorrência (refiro-me à crucificação), não lhe faltaria com o sudário nem lhe negaria uma sede de água (aquela mesma que ele quer privatizar). Infelizmente, receio que os cortes no orçamento da Saúde inviabilizassem as manobras de ressuscitação, por falta de desfibrilhadores.

            Amém.



publicado por tambemdeesquerda às 18:07
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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