Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

 

Leio, no Público de 20 de Dezembro, a páginas 14, o título “Relação confirma envolvimento de Ricardo Rodrigues com «gang internacional» ”. Depois, no corpo da notícia, que cita o texto do jornalista Estêvão Gago da Câmara (EGC) – alvo de processo-crime rejeitado pelo Tribunal da Relação: “Rodrigues esteve envolvido com um gang internacional na qualidade de advogado, sócio e procurador de uma sociedade offshore registada algures num paraíso fiscal; advogado/sócio de uma mulher [Débora Raposo] que está foragida no estrangeiro, acusada de ‘ter dado o golpe’ de centenas de milhares de contos à agência da CGD de Vila Franca do Campo”. Por tudo isto, “não deveria nunca ter enveredado pela actividade política”.
Fica-se a saber:
  • Que a Relação, pronunciando-se sobre a utilização da expressão gang, considerou que a palavra era insultuosa e indelicada”, mas estava “justificada em factos”;
  • Que “os factos remontam a 2000, quando Rodrigues foi constituído arguido num processo sobre crimes de associação criminosa, infidelidade, burla qualificada e falsificação de documentos”;
  • Que “o processo relativo a Rodrigues foi arquivado, mas
  • Que “no despacho do Ministério Público podia ler-se que, apesar das ‘dúvidas’ sobre a sua contribuição “nas actividades subsequentes à burla levadas a cabo pelos principais arguidos”, o advogado [R. Rodrigues] alegou ”desconhecimento da actividade delituosa”;
  • Que “esta decisão foi lida com “perplexidade” pelo juiz de primeira instância. Isto porque o MP dissera que Rodrigues “foi referenciado como tendo mantido contactos (…) com a arguida, principalmente em reuniões que foram organizadas tendo em vista dar aplicação a quantias ilicitamente apropriadas (…);
  • Que “fez deslocações a fim de tratar de assuntos relacionados com as actividades da arguida, as quais eram tudo menos transparentes (…) obviamente pagas com dinheiro obtido de actividades que eram tudo menos lícitas”;
  • Que “o juiz de instrução concluiu que a acusação de que Rodrigues se envolvera “com um gang internacional” tinha sustentação, o que, a final, conduziu à corroboração da sentença da primeira instância pela Relação – sentença com a qual Rodrigues se diz agora “conformado”.
 

Ora o que eu – leigo em matéria jurídica, mas cidadão atento ao processo político – retenho de tudo isto é que o deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista, de que é frequente porta-voz, colaborou activamente com gente da pior espécie – chamemos-lhes gangsters ou, mais portuguesmente, vigaristas, malandrins, burlões, patifes, gatunos. E isso leva-me a estranhar, conforme terá sucedido a EGC, que se mantenha na política activa, em lugar de tal destaque e com uma animosidade tão acentuada para com os adversários políticos que Sócrates até lhe elogiou a “combatividade” no jantar de Natal do grupo parlamentar do PS (Público, 23/12). Não sei se será caso para dizermos asinus asinum fricat, trocando obviamente a espécie animal. Mas é seguramente caso para nos inquietarmos e desconfiarmos cada vez mais da rectidão dos representantes do poder.



publicado por tambemdeesquerda às 20:08
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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