Domingo, 06 de Novembro de 2011

Recebi, pela segunda ou terceira vez, um email edificante, que, por imperativo ético, transcrevo mais abaixo. De tão exacerbadamente moralizante, o texto em questão poderia ser vertido em linguagem bíblica, numa espécie de tábua dos 11 mandamentos:

1.º, não receberás pensão por morte de teu pai ou mãe funcionários públicos;

2.º, não cuidarás de arbustos em hospital público, se já houver jardineiros incumbidos de tal tarefa;

3.º, não te reformarás antes de sentires que o último sopro de vida se te esvai entre os lábios;

4.º, não aceitarás que te paguem mais do que 12 meses em cada ano civil, e assim sucessivamente

 

Este tipo de emails é muito útil para difundir a ideia de que o povo grego é o responsável pela crise de que, na verdade, os responsáveis são os dirigentes políticos corruptos, o poder económico e o poder financeiro. Não foram com certeza os trabalhadores gregos que fizeram as leis que permitiram os desaforos (alguns dos exemplos dados são-no, realmente) a que o email se refere. Em contrapartida, lá, como em Portugal, são os trabalhadores que acabam por pagar a irresponsabilidade criminosa dessa gente.


Pena que quem elabora este email não faça a destrinça entre os exemplos 4 e 6, entre outros. Porque é fácil compreender a quem é que interessa vender mercadorias a preços exorbitantes, assim como é fácil entender que vale mais receber 12 meses por ano a 1000€ por mês do que 15 meses a 500€. Quando se desdenha dos Gregos por receberem o 15.º mês, está-se a enviar aos trabalhadores portugueses a seguinte mensagem: aceitem sem protestar que vos retirem o 13.º e o 14.º meses; não queiram ser como os malandros dos Gregos que, por causa dessas regalias, estão agora no estado que sabemos. Mensagem esta que é extremamente útil… ao governo que nos vai espoliar desses direitos adquiridos cuja lógica... levou os Gregos “até à demência,  até à falta de vergonha”, como se diz no Jornal Económico.

 

Diz-se que a Grécia gasta muito dinheiro em equipamento militar, omitindo-se que a Alemanha e a França condicionaram a concessão de empréstimos à Grécia à compra de submarinos e fragatas produzidos por aquelas duas potências, actuais donas da Europa. Está-se mesmo a ver que os submarinos e as fragatas são indispensáveis para a Grécia ultrapassar a crise e que, com esta venda, a dupla franco-alemã está a dar uma valiosa ajuda aos Gregos, que não se sabem governar.

 

Também o exemplo das reformas aos 50 e 55 anos, respectivamente para mulheres e homens, veicula uma mensagem que é um óptimo adjuvante da acção dos governos europeus empenhados em destruir décadas de conquistas civilizacionais dos trabalhadores e em prolongar as carreiras contributivas até aos 67, 68 anos. Não se celebra o facto de os progressos científicos e tecnológicos permitirem hoje que se trabalhe muito menos do que no passado e que, após 35 ou mesmo 30 anos de trabalho, se usufrua de um período de vida em que é ainda possível concretizar projectos que as obrigações profissionais impediam. Não. Pelos vistos, o que é mesmo sério é trabalhar enquanto a morte não sobrevém.

 

Muito estranhamente, mas deve ter sido lapso involuntário do autor destes 11 mandamentos, não há nenhuma referência aos lucros das grandes empresas gregas, nem aos salários, pensões e mordomias dos respectivos gestores e administradores executivos e não executivos, nem às grandes fortunas. Decididamente, na Grécia, são os funcionários públicos – jardineiros, motoristas e reformados – os grandes responsáveis pela crise. Que coincidência! Em Portugal, também é assim!

 


TEXTO DO EMAIL


GRÉCIA: é difícil acreditar
Bom, acho que a Europa devia ter namorado com mais atenção antes de ter casado com a Grécia, principalmente pela fama que ela tinha.

Agora, se é para manter o casamento, tem de aguentar, pagar e impor economias. 

                            Retirado do fórum do Jornal Económico - 29/06/2011

                       Lê-se, por vezes, que os Gregos, coitadinhos, são um pobre povo periférico que está a sofrer as agruras de uma crise internacional aumentada às mãos da pérfida Merkel.

                       Já é tempo de sair desta superficialidade, de perceber que os Gregos têm culpas no cartório, que não foram sérios e que não o estão a ser.
                       Os Gregos levaram a lógica dos "direitos adquiridos" até à demência, até à falta de vergonha.
                       Contam-se factos inauditos.
                       Os exemplos desta falta de seriedade são imensos, a saber :

                       1 - Em 1930, um lago na Grécia secou, mas o Estado Social grego mantém o Instituto para a Protecção do Lago Kopais, que, embora tenha secado em 1930, ainda tem, em 2011, dezenas de funcionários dedicados à sua conservação.

                       2 - Na Grécia, as filhas solteiras dos funcionários públicos têm direito a uma pensão vitalícia, após a morte do mãe/pai-funcionário público.
                       Recebem 1000 euros mensais - para toda a vida - só pelo facto de serem filhas de funcionários públicos falecidos.
                       Há 40 mil mulheres neste registo que custam ao erário publico 550 milhões de euros por ano.
                       Depois de um ano de caos, o governo grego ainda não acabou com isto completamente.
                       O que pretende é dar este subsidio só até fazerem 18 anos...

                       3 - Num hospital público, existe um jardim com quatro (4) arbustos.
                       Ora, para cuidar desses arbustos o hospital contratou quarenta e cinco (45) jardineiros.

                       4 - Num acto de gestão muito "social" (para com o fornecedor), os hospitais gregos compram pace-makers quatrocentas vezes (400) mais caros do que aqueles que são adquiridos no SNS britânico.

                       5 - Existem seiscentas (600) profissões que podem pedir a reforma aos 50 anos (mulheres) e aos 55 (homens).
                       Porquê ?
                       Porque adquiriram estatuto de profissões de alto desgaste.
                       Dentro deste rol, temos cabeleireiras, apresentadores de TV, músicos de instrumentos de sopro ...

                       6 - Pagava-se 15º mês a toda a classe trabalhadora.

                       7 - As Pensões de Reforma de 4.500 funcionários, no montante de 16 milhões euros por ano, continuavam a ser depositadas, mesmo depois dos idosos falecerem, porque os familiares não davam baixa e não devia haver meios de se averiguar a inexactidão dessa atribuição.

                       8 - Chegava-se ao ponto de só se pagarem os prémios de alguns seguros quando fosse preciso usufruir deles !


                       9 - A Grécia é o País da União Europeia que mais gasta, em termos militares, em relação ao PIB (dados de 2009).
                       O triplo de Portugal !

                       10 - Há viaturas oficiais da administração do Estado que têm 50 condutores.
                       Cada novo nomeado para um cargo nomeia três ou quatro condutores da sua confiança, mas como não são permitidos despedimentos na função pública os anteriores vão mantendo o salário.

                       11 -   Em, 27/06 último, o Prof.Marcelo, acrescentou mais uma à lista.
                       Afirmou ele: " Na Grécia, cerca de 90% da terra não tem cadastro.
                       Agora digo eu: sabem o que significa isso?
                       Significa que os proprietários não pagam impostos.
                       Eu já tinha ouvido dizer que os gregos não pagavam impostos.
                       Ora, a grande receita do Estado provém dos impostos.
                       Isto quer dizer que o erário publico do Estado grego esta vazio, totalmente vazio.
                       Quer dizer, os milhões da UE é que serviram, durante todos estes anos, para manter o nível de vida atingido dos gregos.
                       Não admira que já tenham estoirado 115 mil milhões e agora precisem de mais 108 mil milhões.


 



publicado por tambemdeesquerda às 17:39
Sábado, 30 de Outubro de 2010

 

O país soltou um suspiro de alívio, quando o Dr. Catroga exibiu o seu telemóvel perante os jornalistas para lhes mostrar a fotografia histórica da assinatura do acordo. Em sua casa. Sim, é que o ministro das Finanças trocou o Parlamento pela casa do antigo ministro do Dr. Cavaco. Parece que é mais aconchegada. Já combinaram que, nas rondas negociais dos PEC 4 e 5, se reunirão, respectivamente, na garagem do Dr. Pinto Balsemão (onde está a bateria) e na cave do Dr. Maldonado Gonelha (guitarra acústica).

 

O Dr. Catroga tartamudeou que era uma pena haver só aquela fotografia tirada com um telemóvel, mas enfim, que era histórica e ia directamente para um álbum qualquer que tem lá em casa.

 

Parece também que o Dr. dos Santos terá dito ou mandado dizer ao Dr. Catroga que não podia ficar insensível perante o grito lancinante do Dr. Cavaco, cujo – seguramente lembrado dos esforços insanos dos banqueiros Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, etc., e mais lembrado ainda de ser o arrimo sem o qual a pátria estaria seguramente a atravessar uma crise gravíssima – não se conformava com a hipótese de não haver acordo, e vai daí convocou um conselho de Estado para ouvir toda a gente dizer: “Queremos que haja acordo já! E quem não salta é contra o acordo!”

 

Com franqueza! Não há pachorra!

 

Até há bem pouco tempo, tínhamos políticos que mentiam com todos os dentes, mas que o faziam com o ar mais sério deste mundo. Por assim dizer, mentiam com dignidade. Por vezes, faziam solenes comunicações televisivas ao país para dizer: “Estão a ver? Tanto me caluniaram e o processo foi arquivado!”. Ou então: “Eu não sabia, se bem que soubesse, mas não sabia oficialmente, logo não sabia, ainda que por outro lado tivesse conhecimento informal, o que é notoriamente distinto do conhecimento formal e institucional”. Todos sabíamos das manigâncias graças às quais o processo fora arquivado e percebíamos que o conhecimento tem vários níveis de concretização, mas – prontos!, como diz o outro – eles falavam convictamente, sem se rir nem corar, e isso era garantia de que conservavam um mínimo de decoro e de aparência de respeito por quem os ouvia. Porquê termos evoluído agora para este despropósito que consiste em misturar a gravidade dos assuntos de Estado com a banalidade do desabafo feito em família?

 

 Os imperadores romanos calavam o povo esfomeado e descontente com pão e circo. Aos nossos políticos do arco do poder, basta-lhes, pelos vistos, a segunda parte da receita, seguros que estão da sua total impunidade. Mas a farsa em que a vida política doméstica (e demais) está a cair sugere, cada vez mais, que a mudança de repertório e de actores não pode estar muito longe.

 

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publicado por tambemdeesquerda às 18:27
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

 

Como é do conhecimento geral, o país está mergulhado numa crise gravíssima e os responsáveis políticos, quer governamentais quer do maior partido da oposição, não poupam esforços para chegar a um acordo responsável e patriótico que nos permita ultrapassar este angustioso passo da nossa vida colectiva. Lamentável e profundamente entristecedor para qualquer português que se preze é o facto de nem toda a oposição seguir este exemplo de dignidade e de abnegação perante os superiores interesses da nação, dando mostras de compreensão das dificuldades por que o país passa nem dê um contributo válido para a sua superação, o que passaria necessariamente por ter de adoptar uma atitude construtiva em relação às inevitáveis medidas de austeridade que estão a ser implementadas.

 

Duma publicação de que sou leitor habitual, respiguei alguns números que dão uma ideia aproximada da dimensão da crise a que me venho referindo. Passo a referi-los:

 

  • No primeiro semestre de 2010, as 23 maiores empresas portuguesas obtiveram 2.913.028.265 € de lucros;
  • O BES, o BCP, o BPI e o Totta, cujos administradores, numa atitude que só os honra e é bem demonstrativa do seu patriotismo, foram recentemente aconselhar Governo e PSD  a não comprometerem a estabilidade política, tiveram 893.930.000 de lucros no mesmo lapso de tempo;
  • A EDP, nesses mesmos seis meses, auferiu 639.400.000 € e anunciou que vai aumentar em 3,8% as nossas próximas facturas de electricidade, sem o que a viabilidade da empresa ficará em risco;
  • A Galp, cuja periclitante situação financeira é bem conhecida, viu os seus lucros aumentarem apenas 89%;
  • Por cada dia que passa, o capital arrecada 16.000.000€ de lucro;
  • A cada 30 segundos, os lucros dos grandes grupos e empresas nacionais totalizam mais do que um ano inteiro de Salário Mínimo Nacional;
  • O aumento do SMN para 500€ em 2011 - acordado na Concertação Social entre todos os parceiros sociais - poderá não se concretizar, pois, representando um aumento de 0,80€ por dia, constituiria um enorme factor de risco para o equilíbrio das contas públicas.

Perante o negrume deste cenário, não é necessário ser particularmente astuto para se compreender que as medidas já implementadas e as que se anunciam em vários Pactos de Estabilidade e Crescimento, bem como no Orçamento de Estado - objecto de aturadas negociações entre Governo e PSD, inclusive ao fim-de-semana - são inevitáveis, ainda que sejam também de cortar o coração do ministro da Finanças e de outros portugueses sensíveis.

 

Nestas circunstâncias, não posso deixar de deplorar que ainda haja partidos capazes de produzirem afirmações deste calibre: "Na sequência de sucessivos pacotes de medidas restritivas e anti-sociais, o último dos quais anunciado a 29 de Setembro, o Governo apresenta uma proposta de Orçamento de Estado para 2011 que confirma a natureza de classe da política que PS e PSD têm em curso, ao serviço dos grandes grupos económicos e do capital financeiro, com a cumplicidade do CDS-PP e o patrocínio do Presidente da República." (Comunicado do Comité Central do PCP, 17/10/2010)

 

Com declarações destas, mais não faz o PCP do que reproduzir a estafada cassette marxista a que nos habituou, mas sem lograr os seus intentos. É que, felizmente, o povo português faz-lhe orelhas moucas. Se o escutasse - ai de nós! -, as agências de rating não nos dariam tréguas, os mercados financeiros esmagar-nos-iam com elevadíssimas taxas de juro, os nossos aliados germânicos brandiriam na nossa direcção o fantasma do afastamento da zona euro, em suma, o país mergulharia numa crise gravíssima. Livra! Do que nós nos livrámos!

 

Imagem: http://farm1.static.flickr.com/147/347973893_fba5b56f39_t.jpg



publicado por tambemdeesquerda às 15:42
Quarta-feira, 03 de Fevereiro de 2010

 

Nos espaços públicos de discussão e debate das rádios (Antena Aberta da Antena 1, Fórum da TSF, …) ouve-se frequentemente, para além de toda a espécie de dislates, com queixas justificadas e proclamações inflamadas de teores diversos à mistura, a expressão de opiniões ditas pessoais, estribadas – naturalmente – naquilo que a imprensa de referência, as rádios e as televisões propalam.
 
Na Antena Aberta de hoje, 4.ª feira, 3, discutia-se a Lei das Finanças Regionais. Sobre o fundo da questão não me pronunciarei. Não tenho opinião pessoal. Pelo menos para já. Mas devo ser uma ave rara. Porque há imensa gente que a tem e não descansa enquanto a não torna pública. São precisamente estas opiniões pessoais que dão o mote ao post de hoje.
 
Dizia um ouvinte, entre vários, que a reivindicação financeira de Alberto João Jardim (essa personagem saída de um romance de cordel brasileiro, com coronéis e jagunços a semearem a lei e a ordem pelo sertão) era um desconchavo, tendo em conta o facto de o país estar em crise e sem cheta.
 
Mais uma vez, não é sobre a questão das finanças regionais que vou opinar, mas sim sobre a opinião pessoal de estarmos em crise e sem um chavo. A crise, dou-a de barato, claro. Até aí, estamos todos de acordo, embora lhe possamos dar nomes diferentes. Eu chamar-lhe-ia crise cíclica. Há uns bons cento e cinquenta anos que umas quantas pessoas em cujas opiniões pessoais confio se debruçaram sobre as relações de produção em diferentes sociedades e em particular naquelas em que capital e trabalho mantêm entre si antagonismos só resolúveis por uma nova síntese revolucionária. Para essas pessoas, a superprodução e o concomitante empobrecimento de grandes massas de trabalhadores conduz fatalmente a tais crises. Já a referência à inexistência de dinheiro, é assunto em que as minhas dúvidas são avassaladoras. Confesso humildemente que não sei. Isto é, sei – e muito bem – que muita gente não tem. Por exemplo, e cito António Vilarigues no artigo “O novo avatar do neoliberalismo luso”, publicado no Público de 22 de Janeiro, “os dois milhões de portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza (o que significa que vivem com menos de 406 euros/mês); os 12% dos portugueses que têm emprego mas que estão também em risco de cair numa situação de pobreza; os 700 mil desempregados reais, mais de um terço dos quais sem direito a receber qualquer subsídio; os 450 mil que trabalham e recebem apenas o Salário Mínimo Nacional; os mais de 40% dos trabalhadores por conta de outrem com um rendimento inferior a 600 euros; os 35% dos portugueses que não têm rendimentos suficientes para manter um sistema de aquecimento em casa; os 64% que não conseguem pagar uma semana de férias fora de casa”.
 
Mas há excepções.
 
Exemplificando de novo, eis o que aprendi lendo um artigo intitulado “Banca enriquece com a crise”:
 
-“Só nos primeiros meses de 2009, os cinco maiores bancos a funcionar em Portugal – CGD, BCPMillenium, Santander Totta, BES e BPI – obtiveram lucros líquidos que atingiram 1447,9 milhões de euros”.
 
-“No período 2005-2009, a banca arrecadou cerca de 1468 milhões de euros de lucros apenas por não ter pago a taxa legal de IRC e de derrama” (27,5% até 2006; 26,5% a partir de 2007).
 
-Em vez disso, a banca pagou 11,7% em 2005, 19,4% em 2006 (“como consequência de uma forte denúncia feita na Assembleia da República”), 14,5% em 2007, 12,8% em 2008, e prevê-se que baixe para 9,9% em 2009.
 
-“Em 2005, as Despesas com Pessoal correspondiam a 32% do Produto Bancário. A partir dessa data esta percentagem tem diminuído de uma forma contínua atingindo, em 2008,apenas 27,5%, tendo subido para 28,6% do Produto Bancário no 1.º semestre de 2009, mas não é certo que o ano termine com esta percentagem”.
 
-“Em 2008, segundo o ‘Relatório anual sobre o governo das sociedades cotadas em Portugal”, divulgado pela CMVM em 2009, a remuneração média anual de cada administrador do sector financeiro foi de 698 081,3euros, atingindo 777 120,4 euros se o banco integrasse o PSI 20 (BCP, BES e BPI)”.
 
Convém frisar que este artigo, da autoria do economista Eugénio Rosa e publicado no Avante! de 21 de Janeiro, tem como fonte o Boletim Informativo da Associação Portuguesa de Bancos.
 
Perante este quadro risonho, só ocorre dizer que a opinião pessoal de que estamos em crise e de que não há dinheiro é capaz de ser uma opinião pouco pessoal, mas muito conveniente para aqueles que passam ao largo da crise, de bolsos cheios e estômagos aviados.
 
E como Vítor Constâncio admite como plausível o aumento do IVA – imposto indirecto que onera de igual modo banqueiros e desempregados – e o FMI sugere a redução dos salários, que Fernando Ulrich já tinha sugerido e cuja possibilidade não é descartada por Silva Lopes, não nos admiremos se, dentro de dias, inspiradas por estas sábias sugestões que a comunicação social de referência repete em cada noticiário, sem contraditório, começarem a surgir na Antena Aberta e no Fórum opiniões pessoalíssimas de ouvintes (muitas vezes tão bem intencionados quanto ingénuos) dispostos a aceitar que lhes reduzam o salário.
 
A bem da Nação. Ora pois!
 
 


publicado por tambemdeesquerda às 23:34
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Foi há pouco mais de um mês, a 10 de Dezembro, que Bento XVI recebeu em audiência o Embaixador de Cuba junto à Santa Sé – Eduardo Delgado Bermúdez – por ocasião da apresentação da Carta Credencial.
 
Transcrevo três passos do discurso que o Papa pronunciou na ocasião e que se pode ler, no original, no sítio web do Vaticano
ou em
 
Claro que os protocolos impõem, nestas ocasiões, um conjunto de fórmulas de cortesia estereotipadas que soam sempre a falso. Mas há aqui, nos parágrafos 2 e 3, algo mais do que convenção.
 
“Senhor Embaixador:
1. Com muito gosto recebo-o neste acto solene no qual apresenta as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Cuba perante a Santa Sé, iniciando assim a importante missão que o seu Governo lhe confiou. Agradeço-lhe as suas atentas palavras e a saudação que me transmitiu da parte do Excelentíssimo Senhor Raúl Castro Ruz, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, a que correspondo com os meus melhores desejos para a sua alta responsabilidade.

2. […] Cuba, que continua a oferecer a numerosos países sua colaboração em áreas vitais como a alfabetização e a saúde, favorece assim a cooperação e solidariedade internacionais, sem que estas estejam subordinadas a mais interesses que a própria ajuda às populações necessitadas.
 
3. Tal como outros muitos países, a sua Pátria sofre também as consequências da grave crise mundial que, somada aos devastadores efeitos dos desastres naturais e do embargo económico, golpeia de maneira especial às pessoas e famílias mais pobres. Nesta complexa situação geral, aprecia-se cada vez mais a urgente necessidade de uma economia que, edificada sobre sólidas bases éticas, ponha às pessoas e seus direitos, seu bem material e espiritual, no centro de seus interesses. Com efeito, o primeiro capital que se há de salvaguardar e salvar é o homem, a pessoa na sua integridade (cf. Caritas in veritate, 25).”
 
Só faltou ao Papa dizer que Fidel bem mereceu a nomeação como Herói Mundial da Solidariedade pela Assembleia Geral das Nações Unidas.


publicado por tambemdeesquerda às 23:52
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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