Terça-feira, 09 de Fevereiro de 2010

A bem dizer, não são singularidades, que coisas destas estão sempre a acontecer e, portanto, com mais propriedade lhes chamaríamos pluralidades. Mas a senhora é loira e usa tranças. É primeira-ministra e democrata. Pró-ocidental – passe a redundância.

Segundo o director adjunto do Instituto Americano na Ucrânia, James George Jatras, personalidade que, sendo americana e director de um Instituto Americano, dificilmente poderá ser acusada de antipatia pró-ocidental, “mesmo quem prefere Timochenko a Ianukovich suspeita que ela se prepara para usar todos os meios ao seu alcance para produzir uma contagem de votos que a ponha a uma distância à justa do rival. Depois resta-lhe denunciar fraudes e instigar à sublevação popular”.

Como se vê, a receita não podia ser mais democrata: ela própria “produz uma contagem de votos”, depois “denuncia fraudes”, que só por má-fé lhe poderão ser imputadas – ou não será ela democrata e pró-ocidental? – e “instiga à sublevação popular”.

Já o muito menos democrata e pró-ocidental Ianukovich, “vilão das fraudes presidenciais de 2004”, e afastado do poder pela ‘Revolução Laranja’ – essa magnífica revolução acontecida num tempo em que tanta gente dava tal espécie como definitivamente extinta à superfície do planeta –“avisou de viva voz que se recusa a trabalhar com a rival e que porá em marcha”… – uma coluna militar? Não! – os seus apoiantes devidamente armados? Não! – “conversações para formar um novo executivo, assim que saia vencedor das presidenciais”.

Temos, assim, – recapitulando – uma senhora loira, de tranças, primeira-ministra, democrata e pró-ocidental, que instiga à sublevação popular porque os resultados eleitorais são favoráveis ao adversário, cujo, por sua vez, não é loiro, não usa tranças, não é democrata nem pró-ocidental, mas, em contrapartida, ameaça pôr em marcha… conversações, o que, como bem sabemos, é veneno letal e ácido corrosivo dos alicerces da democracia, já para não falarmos da civilização ocidental.

Resta-nos esperar por uma intervenção humanitária da NATO, que salve o Capuchinho Laranja das garras do Lobo Mau e reponha a legalidade democrática na terra mártir da Ucrânia.
 
 
Obs.: citações de passos do artigo “Iulia tem nas mãos o destino da Ucrânia”, Público de domingo, 7.


publicado por tambemdeesquerda às 01:07
Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.
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