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Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

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Juramento de bandeira

Foi no Jornal das 13 da SIC. Hoje. Era no Japão, onde, segundo o pivot, só um em cada 5 licenciados consegue emprego. Uma caterva de jovens com o canudo, vestidos a rigor, entra numa grande sala onde se vai desenrolar a cerimónia. No púlpito, está o director, que discursa. A dada altura, os jovens que acabam de ser recrutados juram fidelidade à empresa e cantam o hino (o hino da empresa – que não o hino nacional japonês). Depois, para amenizar, fazem uns exercícios de relaxamento e sorriem. Sorriem muito. Devem mostrar-se gratos e felizes. Neste admirável mundo novo, ter um emprego é uma dádiva desses seres maravilhosos que são os chefes das grandes empresas.
 
Lembrei-me de quando entrei para a Berliet em Vénissieux-Lyon. Já lá vão mais de quarenta anos. No meu primeiro dia, se bem me lembro, não cheguei a trabalhar. Fui levado com outros recém-“embauchés” para um local da empresa onde nos mostraram diapositivos com imagens dos diversos serviços, secções, oficinas. Falaram-nos da história da empresa, da sua importância na região, no país, na economia francesa. Depois, foi uma visita de estudo às instalações.
 
Era visível a preocupação com a integração naquele grande colectivo (na altura, a Berliet teria cerca de 11 mil trabalhadores). E a fábrica, a “minha” fábrica, era realmente um mundo, com refeitórios, enfermarias, biblioteca e mediateca, com um Comité de Empresa, onde os trabalhadores tinham uma representação importante, com sindicatos extremamente activos e delegados sindicais que eram fiscais das condições de trabalho e advogados dos outros trabalhadores.
 
Hoje, segundo julgo saber, já nada é assim. Só não sei se lá, como no Japão, já é preciso jurar fidelidade ao patrão.

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