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Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

Pobre Grécia, pobre Portugal, pobres dos povos

 

 

Ainda por cá a procissão dos submarinos alemães vai no adro, já na Grécia outros submarinos, igualmente alemães, prometem dar que falar e continuar a alimentar a indignação dos gregos, a braços com um PEC ainda mais penalizador do que o nosso – se bem que, lá como cá, apenas para os mesmos de sempre.

Bem sabemos que os dirigentes políticos das nossas bem-aventuradas sociedades democráticas são hábeis na manipulação do discurso e mestres na arte de vender a sua imagem – sua deles, a título individual, ou sua delas, sociedades democráticas, quando o enxovalho da imagem individual é de tal ordem que já não há Tide ou Omo que lhe valha. Por isso, alguns partidos lá vão mudando de mosca, que é como quem diz de líder, maneira de dizer que o apeado é responsável por tudo o que correu mal – daí em diante, com o recém-eleito, tudo vai ser diferente e melhor.

 

E é por isso que, na Grécia de George Papandreou, como no Portugal de Sócrates, não faltarão argumentos consistentíssimos para justificar a compra dos submarinos. Cá, dois. Na Grécia – segundo dizem, em pior situação do que nós –, três. Com esta particularidade: um dos submarinos, o Papanikolis, fora recusado em 2006 pela Armada grega, por não corresponder ao prometido, e o contencioso entre Berlim e Atenas a este respeito arrastava-se há quatro anos.

 

Falta apenas acrescentar que o feliz desfecho da contenda e o fecho do negócio dos três submarinos ocorreu “nas vésperas da cimeira que definiu o acordo franco-alemão de apoio à Grécia”. Ah! E, já agora, que o parceiro francês também vai vender à Grécia – sem dúvida nenhuma para a ajudar a ultrapassar o défice orçamental e a dívida pública – seis fragatas, seis.

 

Até parece que é a Grécia que está a ajudar o consórcio franco-alemão. Mas não faltarão líderes políticos, comentadores e fazedores de opinião em geral para nos mostrarem que laboramos num terrível erro. Submarinos e fragatas, para além de aviões e carros de combate, são com certeza os mais valiosos instrumentos da felicidade dos povos.

 

Imagem:http://resistir.info/petras/imagens/eu_and_greece_economic_crisis_by_latuff2_60pc.jpg