Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

RESPOSTA AOS COMENTÁRIOS DE DYLAN

(ao post de 11 de Março, com um artigo de Michel Chussodovsky)


Não se trata de uma questão de puritanismo. Se eu pudesse acreditar na boa-fé dos EUA e da EU, talvez achasse bem que se emendasse a Carta das Nações Unidas no tocante ao direito de ingerência. Porém, sinto-me incapaz disso, por razões várias, de que enumero algumas:

  • vivi no tempo do fascismo salazarista, com o qual as democracias europeias e a americana conviveram pacificamente, até que o povo se libertou pelos seus próprios meios (felizmente, sem termos sido bombardeados pela NATO);
  • presenciei, à distância, o papel dos EUA no golpe de Estado de Pinochet e a sua convivência pacífica com o regime deste e de tantos outros torcionários latino-americanos;
  • testemunhei a bárbara agressão à Federação Jugoslava, destruída na sequência de ingerência “humanitária”, por alegada limpeza étnica, na sequência da qual, aliás, surgiu um novo Estado, já reconhecido por algumas democracias, contra o direito internacional, com um líder que esteve envolvido em tráfico de droga e, mais recentemente, em tráfico de órgãos humanos;
  • observei o apoio dos EUA aos taliban (e ao amigo Bin Laden) e a posterior zanga, com a conhecida história de invasão, ocupação e instauração de um regime corrupto e fantoche;
  • acompanhei o processo das “armas de destruição maciça” que nunca existiram, embora os Quatro Magníficos das Lajes as tenham visto não se sabe como nem onde, o que não impediu a invasão e ocupação do Iraque, com tudo o que isso implicou, implca e implicará;
  • vejo que os EUA, e a EU, continuam a conviver amistosamente com os regimes mais asquerosos do planeta, sempre que isso lhes traz vantagens ou assegura a manutenção das mesmas. Fizeram-no com a Tunísia de Ben Ali e o Egipto de Mubarak; fazem-no com os sauditas e as demais ditaduras árabes; fizeram-no com o ditador líbio, nos últimos anos, a partir do momento em que este adoptou medidas que lhes agradaram (“A partir da II Guerra do Golfo, Kadhafi deu uma guinada de 180 graus. Submeteu-se a exigências do FMI, privatizou dezenas de empresas e abriu o país às grandes petrolíferas internacionais. A corrupção e o nepotismo criaram raízes na Líbia”, Miguel Urbano Rodrigues, http://www.odiario.info/?p=1993)