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Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

Espejos, de Eduardo Galeano

É um livro que se lê como quem degusta um bom vinho – sem pressas, relendo um parágrafo aqui, outro além, o tempo necessário para que o seu alcance seja devidamente entendido, deixando os taninos do texto impregnarem as papilas gustativas da memória. E é também um livro que inquieta. Julgo mesmo que não haverá muitas obras na literatura universal em que, de forma tão eloquente, se exiba aos nossos olhos – cientes de muito, mas ainda assim sempre secretamente esperançados em que afinal não era verdade – os extremos de inteligência e de estultícia, de generosidade e de crueldade, de grandeza e de baixeza a que pode chegar o ser humano.

 

Impossível, ao ler este livro, ficar-se indiferente ao sofrimento de milhões de nossos semelhantes, ao longo dos séculos. Impensável não se condenar, sem apelo nem agravo, uma religião que sempre se prevaleceu de um discurso (oficial) misericordioso para levar à prática as maiores infâmias contra o homem. Imperioso rejeitar – por mais que nos aflija o apodo de ingenuidade e candura – a perpetuação da plutocracia como modelo de organização social.

 

Espejos é um requisitório impiedoso contra todos os poderes que escravizam o homem, sejam eles o poder da religião ou o do Império, de Roma ou de Washington.

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