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Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

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Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

GEOMETRIA INVARIÁVEL

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Estive a ouvir, enquanto me entregava à apaixonante tarefa de cozinhar para a minha querida cadela – de nome Maria, em honra da Virgem Santíssima – e para mim, de nome Fernando – já não me lembro por que raio de razão – o «Geometria Variável», com a Maria Flor Pedroso, moderadora, o Carlos Coelho, do PSD, e a Marisa Matias, do BE, sucessora de Nuno Severiano Teixeira, do PS. Enternecedor.

A simpática Marisa Matias e o Carlos Coelho que me desculpem estes artigos definidos antepostos aos seus nomes, mas a sua convivialidade tão cortês leva-me a tratá-los com a deferência devida àqueles que estimamos, ainda que, por vezes, também, com a acrimónia justificável pelo desconforto que nos causa o que vemos, ouvimos e lemos (e não podemos ignorar).

O parentético parágrafo anterior justifica-se apenas pelo que segue e que contraria, de modo algo grosseiro, o adjectivo com que termino o primeiro.

Foi, com efeito (locução muito usada no ping-pong, se bem me recordo), esclarecedor constatar (do fr. “constater”) que os dois presumíveis contendores emitiam sistematicamente opiniões convergentes sobre as mais diversas matérias, desde os desempenhos dos aspirantes à Suprema Magistratura até à guerra na Ucrânia e à NATO. De tal modo e com tal coerência discursiva que qualquer observador via auditiva (recurso sinestésico, para quem se lembra dos tropos) teria alguma dificuldade em distinguir a filiação e militância partidária de qualquer deles.

Ora bem. Onde o escriba quer chegar é ao ambicioso desiderato, que vem já a seguir e que obedece ao desígnio de contribuir para a aproximação daqueles que, formalmente separados (de corpos, alguns bens e muitos projectos), têm tanto a uni-los que bem fariam em juntar os trapinhos e criar uma Associação, Bloco ou Frente que lhes potenciasse a ascensão eleitoral até patamares inimagináveis. Descodificando: em vez de um Partido adjectivado de Social-Democrata e de um Bloco, preposicionado de Esquerda, por que não uma Frente de Esquerda Social-Democrata Atlantista e Bruxelense (FESDAB)?

Estou certo de que a troika líder da EU – Úrsula, Kallas e Consentes – rejubilariam (eventualmente, até regurgitarem, como sucedeu à nossa repórter no Vaticano, há uns anos). Já não estou tão certo de que o facto de as esquerdas europeias, com a honrosa excepção dos malditos comunistas, se fundirem tão homogeneamente com as direitas – uns e outros reclamando-se convictamente de uma social-democracia que tem por objectivo final assegurar a sobrevivência do capitalismo – constitua um factor de progresso social e de eliminação das desigualdades sociais.

Também é verdade que não acredito no Pai Natal, apesar de ainda há dias ter visto um no Fórum Algarve.

E siga a dança.

(O Boeing 747SP é da Wikipédia)