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Também de esquerda

Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura.

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SERÁ O CORONAVÍRUS SOCIALISTA?

Para alguns frequentadores do facebook, a pergunta será provocatória; para outros, retórica, ingénua ou desnecessária. Entre estes últimos estará o autor do belo naco de prosa (descontados os solecismos e outros atentados à gramática), susceptível de ser degustado em https://www.facebook.com/fernanda.guadalupe.712


Porém, a verdade é que o anúncio de nacionalizações a serem levadas a cabo pelos governos francês e italiano em consequência dos efeitos catastróficos deste malfadado vírus que resolveu vir perturbar a paz remansosa da nossa alegre casinha nos põe no olfacto o odor de outras nacionalizações, umas claramente atentatórias da livre iniciativa e visando a instauração de economias planificadas, rumo ao socialismo – caso das nossas, no pós-25 de Abril –, outras talvez menos ousadas, mas não menos inspiradas em concepções que contrariam a sacrossanta liberdade de iniciativa da economia de mercado. Neste último caso estarão aquelas a que o Governo Provisório francês procedeu, a seguir à Libertação da França, em 1945 e 1946, quando o Programa do Conselho nacional da Resistência prescrevia “le retour à la nation des grands moyens de production monopolisée, fruits du travail commun, des sources d’énergie, des richesses du sous-sol, des compagnies d’assurances et des grandes banques".


Acontece que, em 1945, como agora, o estado de calamidade parece consumar-se. Não temos o número de baixas nem a destruição verificados na altura e esperamos todos nunca lá chegar, mas os efeitos na economia serão devastadores e as vítimas mortais, milhares (ainda que em número muito inferior ao daqueles nossos semelhantes que todos os dias sucumbem aos vírus da fome, da doença, do desemprego e das péssimas condições de vida que as nossas sociedades lhes proporcionam sem regatear).


Ora é precisamente quando o estado é de calamidade que os arautos da iniciativa individual e ferozes detractores dos vícios do Estado cessam de clamar por menos Estado e que os seus representantes nos conselhos de administração dos seus negócios (aos quais se costuma dar o nome de Governos) assumem a eventual necessidade de adoptar medidas de cariz socialista, v.g., as nacionalizações.


Forçado se é, nestas circunstâncias, a concluir que o socialismo (entendido, aqui, como etapa na construção de uma sociedade sem classes e em que os principais meios de produção são propriedade colectiva de todos os cidadãos) apresenta a virtude de responder às necessidades dos povos não apenas em tempos de normalidade, mas ainda quando flagelos se abatem sobre todos. Agora, como em 1945.

 

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